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Amigas inteligentes não ficam pobres na balada

(Antes de começar, desculpe-me, Gustavo Cerbasi, pelo título levemente “inspirado” no seu livro)


Sábado passado uma querida amiga fez aniversário e fomos comemorar a data num bar lindíssimo. Além dos drinques deliciosos, o lugar tem música ao vivo boa e oferece uma vista privilegiada da cidade São Paulo, com direito a pôr-do-sol.


Legal, né?


Chegando lá, me explicam que sistema de consumo é pré-pago. Funciona assim: na entrada a gente recebe um cartão, que deve ser carregado com créditos em dinheiro. Ao longo da noite, ao fazer os pedidos, os créditos vão sendo descontados. Se acabarem, basta recarregar o cartão. Não há valor mínimo de carga.


Então.


Os garçons andam com duas maquininhas no bolso do avental: uma para carregar os créditos nos cartões via operação de crédito ou débito; e a outra para enviar os pedidos à cozinha. Então, calculei mais ou menos o que pretendia gastar, carreguei meu cartão e fui aproveitar a noite.


Pois bem.


Ao ir embora, eu e duas amigas percebemos que havia crédito sobrando: A Amiga 1 com 15 reais, a Amiga 2, com 10 reais e eu com 34 reais (consumi bem menos do que previa). Fui tentar reaver o dinheiro.


“Não devolvemos o dinheiro. Você pode voltar em qualquer dia para consumir o que restou dos créditos”, explicou a moça na entrada do bar.


Oi?


Eu não tenho medo nem preguiça de fazer barraco na hora de defender meu dinheirinho. Mas como não tinha como ligar no meio da madrugada para o Procon para saber se o procedimento é ou não legal, resolvi deixar quieto. Mas achei bem antipático sequestrar o dinheiro alheio em pleno ano de 2019.


Mas e os 34 reais? Deixei para lá?


Nananinanão!


Fui ao balcão, comprei 4 garrafas de água mineral e saí do bar com elas debaixo do braço (não levei a ecobag pra balada, que pena) sob os olhares de espanto / reprovação/deboche de quem via a cena.


Minhas amigas, também adeptas do desperdício zero, entraram na brincadeira: A Amiga 1 levou pra casa uma tônica importada e a Amiga 2 também arrematou uma água mineral. Amiga 2 e eu ainda deixamos 2 reais cada uma em crédito, não teve jeito.


(E não foi a primeira vez que “zerei” a comanda numa balada levando coisa pra casa. Lembram-se da famigerada época da consumação mínima? Pois saí de uma festa equilibrando 2 latas de refrigerante e uma porção de frango a passarinho embrulhado pra viagem porque fiquei 10 minutos no bar e não consumi nada. Vergonha? Quem tem de ter vergonha é o estabelecimento que fica com o dinheiro do cliente, não eu!)


Se volto ao local? Provavelmente, e em breve. Como eu disse, o lugar é sensacional.

Mas coitado do garçom, que vai ter de aguentar a maluca aqui com a calculadora em punho e carregando o cartão toda vez que eu decidir beber uma única cerveja. E olha que eu bebo bastante.


Saúde!


Patricia Nakamura é voluntária da Bem Gasto



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