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Conta: divide igualmente ou cada um paga o seu?

Garçom, pode trazer a continha...


... e o pânico de uma noite de início agradável começa. Mãos se dirigem aos bolsos, carteiras e cartões são sacados, mentes fazem cálculos precisos, o silêncio permanece na mesa e a única coisa que se escuta é o barulho estranho do canudo sugando a última gota do copo. Tudo soa como um duelo do Velho Oeste e a única pergunta que paira no ar é:

“Cada pessoa paga a sua parte ou vamos dividir igualmente?”.


Esta noite de final tenso teve um início feliz às 20h, quando um grupo de 7 amigos entrou em um famoso restaurante, conhecido por ter mesas grandes e garçons bem-humorados. No momento de pedir, o primeiro integrante do grupo, que estava de regime, escolheu uma salada e um suco de laranja. O segundo pediu uma massa e um refrigerante. O primeiro integrante reflete: “Essa massa é mais cara que a minha salada, porém o suco é mais caro que o refrigerante”. A mente calculista deste membro já estava antecipando o momento mais crucial da noite: a divisão da conta.


O terceiro e o quarto integrantes seguem o pedido do segundo. O equilíbrio se quebra quando o quinto membro ordena um cordeiro assado no forno por 24 horas acompanhado por um risoto de cebola caramelizada e pra beber uma cerveja artesanal. Que os jogos comecem!


O primeiro membro enfurecido, já pensando que a conta pode ser dividida igualmente, muda de ideia para não ser punido pela escolha do seu amigo, e ordena a mesma coisa (adeus regime). O ciclo de vingança e preços altos se perpetua pelos pedidos ao redor da mesa e o único sorriso de satisfação que se observa é do garçom.


No final apenas o que restou entre as migalhas, pratos vazios e o molho derramado sobre a mesa foi a alta conta a ser paga.


Discussões acaloradas tomam conta e um consenso precisa ser formado sobre o caminho a ser seguido. No final, a divisão igualitária se torna vitoriosa por votação e o grupo deixa o local com um ar de arrependimento, atritos e discordâncias. Comparado aos contos de fada, esta noite não teve um final feliz.


Fim


Esse conto financeiro (sim, vamos criar uma nova categoria no storytelling mundial), assim como as histórias em geral, têm a função de transmitir conhecimento e sabedoria de uma maneira agradável. Neste caso, quero que vocês prestem atenção nesta situação que acontece muito em nossas vidas.


Muitas vezes em que saímos em grupo, dividimos a conta e pagamos pelas coisas caras que os outros consomem ou pedimos pratos caros para não nos sentirmos prejudicados pelos outros. O resumo é que gastamos mais do que deveríamos, prejudicando nossas finanças e gerando estresse no fim de jantares, estragando momentos que deveriam terminar bem. Meu conselho é comentar logo de início como a conta será paga ou se impor no final da refeição caso você tenha consumido menos e não pagar pelo os outros.


E lembre-se, tenha noção. Pequenas diferenças (relativo ao tamanho da sua renda) não valem uma discussão dessas, ou seja, não fique marcado como a pessoa chata por isso. Porém, diferenças que pesam de verdade no bolso para você têm que ser discutidas, sim. Não tenha vergonha e comente de maneira delicada sobre a situação, pois caso contrário você pagará a conta (literalmente!).



Meu nome é Rubens Sanghikian, economista e escolhi me voluntariar na Bem Gasto, utilizando a educação financeira como meio de combate à pobreza e desigualdade social. Neste blog postarei artigos na linha de como podemos utilizar a economia comportamental e políticas públicas para melhorar as nossas finanças. Até mais =D




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