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O dilema das escolhas

Planejamento financeiro tem a ver com fazer escolhas, optar por um caminho e não pelo outro. E desde muito cedo somos colocados em encruzilhadas.


Quando eu tinha 12 anos, vivenciei um momento de escolha, provavelmente o primeiro com relevância. Meu pai havia me dado de presente de aniversário um dinheiro para comprar o que quisesse. Tentador, não? Mas eu sabia o que eu queria! O ano era 1992 e, na minha escola, quem não tivesse roupa da Pakalolo não tinha amigas. Para os mais novos: a Pakalolo era uma verdadeira febre entre adolescentes e era um sonho de consumo que só os endinheirados conseguiam realizar com frequência. Usar um item da Pakalolo era um passaporte para a popularidade.


E lá fui para o shopping, muito feliz e contente. Chegando na loja, descobri que não tinha "dinheiro infinito" e o que ganhei daria para comprar só uma peça de roupa. Imagine a frustração daquela menina, vendo um um arco íris de bermudas roxas, camisetas laranjas, shorts amarelo fluorescente, mas só podendo comprar uma peça de roupa!

Eu tinha que ser muito estratégica. E foi aí que eu tomei uma decisão. Saí da loja e não comprei nada. Doeu muito! Mas contornei a situação.


Minha mãe sugeriu uma visita à C&A, pois o dinheiro dava para comprar muita coisa lá – para vocês terem uma ideia de quanto custava uma única pecinha na Pakalolo. Mas decidi ir numa loja chamada Surf More, que tinha itens de marcas “respeitadas” pelo pessoal da escola e que não custavam tanto. Consegui comprar uma camiseta e um short ultra mega colorido. Recuperei meu dia! E sobrou dinheiro para voltar a Pakalolo e comprar um frufru de cabelo (para os mais novos: era um elástico de cabelo revestido com tecido de malha, bastante volumoso). Pronto, arrasei!


Você pode julgar minhas escolhas. Foram boas? Ruins? Teria feito diferente? Mas o mais relevante foi que minha escolha me deixou mais próxima do meu propósito na época, que era fazer parte do grupo de adolescentes do ambiente que frequentava.


Se você quer estudar fora do País e está juntando grana, não deveria viajar com os amigos para passar o Ano Novo em um local super caro. Escolhas! Vai ser doloroso ficar em casa, assistindo ao Show da Virada do Faustão, enquanto dá curtidas nas fotos nas redes sociais dos amigos que estão se divertindo horrores.



Mas, vamos lá, você é forte! Você aguenta. Olha lá o seu propósito! Não se renda à oferta de crédito pessoal pipocando na tela do caixa eletrônico. Não vai valer a pena. O seu objetivo e o que ele te trará é maior do que um fim de ano com os amigos.

Siga sempre seu propósito, seja ele qual for.


Fabi Bergamin, voluntária do Bem Gasto, marketeira por profissão, gestora de suas finanças pessoais, que acredita no poder do aprendizado através das experiências

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