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O que eu aprendi com uma crise no mercado financeiro

Como diria o narrador de futebol Milton Leite: “Que fase! Meu Deus!”


O dia de ontem, 9 de março, foi de pânico, choro e ranger de dentes. Resumindo o cenário: a treta Rússia x OPEP fez o preço do petróleo despencar; moedas se desvalorizaram perante o dólar; bolsas tiveram perdas históricas. Tudo isso contaminado pelos impactos do coronavírus, que periga virar uma pandemia.


Muita gente, que foi seduzida recentemente pelas promessas de alto retorno das massivas e bem feitas campanhas publicitárias das corretoras, viu parte do suado dinheirinho se esvair pelo ralo. É difícil, eu sei. Mas espero que a ferida provocada pelo tombo deixe uma cicatriz em formato de lição. Aconteceu comigo, na famigerada crise de 2008. Não era muito dinheiro, mas fiz um pequeno sacrifício de anos para juntar o que o subprime levou depois em questão de meses.


Divido com vocês, pequenos investidores como eu, o que eu aprendi:


- a não confundir arrojo com ganância: meses antes da crise estourar, diversos especialistas apostavam numa disparada da bolsa de valores. Na ilusão de ganhar muito dinheiro em pouco tempo, enfiei muita grana (para meus padrões, claro) no mercado acionário, sem parar para pensar em compromissos financeiros futuros e muito menos em proteger parte do meu patrimônio. Só que aí o caos se instalou e vi minhas aplicações ruírem. Junto, veio uma demissão inesperada e me vi numa situação complicada.


- a perceber que conhecer o perfil de investimento não é conversa fiada: descobri, da pior forma possível, que meu sangue não é tão frio assim frente aos riscos e à volatilidade, eventos tão comuns no mercado financeiro. Assim que consegui me reerguer, distribuí melhor o meu dinheiro aliando aplicações mais seguras. Claro que nesse tempo vi gente se dando bem com a bolsa. E sim, deu uma invejinha. Mas a postura agressiva não combina comigo, paciência. Pelo menos durmo tranquila.


- a pedir ajuda de quem conhece: claro que não tracei sozinha o plano de investir. Fui auxiliada por gente amiga e paciente, que manjava de mercado – 12 anos atrás os planejadores financeiros eram raros e extremamente caros.


- a estudar bem as opções de investimento: antes de enfiar dinheiro em qualquer recomendação, parava para analisar as alternativas. Basicamente, se eu não conseguisse entender qualquer mecanismo, eu não aplicava. No caso de ações, simplesmente não investia em companhias cujo negócio era contrário às minhas convicções pessoais (como empresas social e ambientalmente irresponsáveis, envolvidas em casos de corrupção ou que atentassem diretamente contra a vida). Dá um bruta trabalho, mas vale a pena.


- a não desistir: este foi o principal aprendizado. Confesso que só não me agachei embaixo da mesa para chorar porque os boletos não paravam de chegar. Juntei os cacos e recomecei. Levou tempo, mas enfim consegui me reerguer.


Passar por tudo isso não foi fácil, não foi rápido e não foi legal. Portanto, antes de fazer qualquer investimento, pare e pense sobre os pontos que comentei acima. Acho que podem te ajudar a tomar melhores decisões. E, caso você tenha sido pego no contrapé pela devastação, respire fundo: vai passar.


Juízo, gente.


Patricia Nakamura é voluntária do Bem Gasto

https://www.linkedin.com/in/patricianakamura/



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