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Quanto custa sair da casa dos pais: um guia básico para ser dono do próprio nariz

Entre os animais, uma hora ou outra chega o processo dos filhotes se desapegarem de suas mães. Em algumas espécies, o processo dura alguns dias. Em outras, alguns meses e, em algumas, alguns anos. O fato é que, uma hora ou outra, seja por fatores naturais ou até fatores externos, a separação dos filhotes com suas mães acontece. E o mesmo acaba acontecendo com o ser humano. Somos a espécie mais desenvolvida e complexa de todas, mas que, um dia, é natural os filhos saírem de casa. Alguns saem desde cedo para estudar, outros saem quando começam a trabalhar e alguns saem quando se casam. Há aqueles que até permanecem bastante tempo na casa dos pais, mas, em algum momento, seja por decisão própria ou por fatores maiores, passam a viver sem os pais.


E, justamente por sermos os seres mais complexos e desenvolvidos, o processo da saída da casa dos pais é o mais complexo. E o fator financeiro é uma das principais causas dessa complexidade. Quem mora com os pais pode, eventualmente, até ajudar nas finanças domésticas, mas de modo geral, já tem toda uma estrutura formada. Custos com aluguel, financiamento ou reformas, além das despesas mensais como as contas de água, luz, condomínio, segurança, limpeza, internet, telefone, TV, Netflix e supermercado, na maioria dos casos, não são “sentidas” pelos filhos.


E mais do que isso, além de não sentir estes custos no bolso, muitas vezes os filhos nem sequer têm relações com contas, bancos e boletos. Isso, que pode parecer um conforto e uma comodidade, pode, no final das contas, ser um problema na hora que a pessoa passar a morar longe dos pais, por não saber como lidar com tudo isso.


Assim, a partir do momento que o filho ou filha decidirem morar fora de casa, uma ajuda de custos no começo pode até surgir, por parte dos pais, mas, a responsabilidade da gestão das finanças domésticas só vai aumentando. Pensando nisso, valem algumas dicas desde pessoas que ainda nem pensam em sair de casa até aqueles que estão no processo de saída:


1) Aprenda com seus pais como lidar com as contas domésticas

Antes de sair de casa, aproveite para aprender com seus pais sobre como eles administram as contas da casa. Entenda quais são as despesas e como elas são pagas. Caso nunca tenha feito, aprenda a pagar um boleto e usar o débito automático.

Vale também aprender sobre as compras do supermercado. Passe a participar das compras para ver quais itens comprar, quantidades e valores.


2) Pesquise valores e faça um orçamento mensal

Quem estiver pensando em se mudar, vale começar a fazer o exercício de levantar quais e quanto serão os gastos. Pesquise valores de aluguel da região onde você está pensando em se mudar, valores de contas mensais como internet, água, gás, eletricidade, condomínio, serviços de streaming, etc. Lembre-se também de eventuais custos iniciais da mudança, como aquisição de móveis, eletrodomésticos e reformas.



3) Busque economizar no começo

Muitas vezes os filhos saem da casa dos pais quando estão entrando na faculdade ou em começo de carreira. Nestes casos, o impacto financeiro da mudança pode ser pesado, já que passa-se de uma situação em que praticamente não existem gastos para uma situação que é necessária sustentar um lar, sem ter grandes fontes de renda. Neste caso, busque opções como alugar espaços menores (como por exemplo kitnets, repúblicas e pensões ou pequenos apartamentos), dividir o espaço com outras pessoas e comprar móveis e eletrodomésticos usados. Vale o “sacrifício” no início para não prejudicar as finanças futuras.



4) Cuidado com os gastos variáveis

Além das contas fixas mensais, acabam surgindo também gastos variáveis, principalmente relacionadas com o supermercado. É no mercado que são comprados alimentos, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza. Quem não está habituado com estas compras pode se perder no início, comprando mais do que o necessário, se perdendo nas quantidades e até sofrendo com desperdício. Para isso, sempre busque fazer listas de compras, verificando o que realmente é necessário, e definir um orçamento para estes gastos.


Victor Barboza é especialista em finanças pessoais e gestão financeira de pequenos negócios. É voluntário da Bem Gasto e fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa.   https://www.linkedin.com/in/victorbarboza/







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